No dia 8 de outubro, às 20h, nos canais digitais da CRB Nacional, acontecerá o lançamento do livro digital “Presenças Proféticas da Vida Religiosa Consagrada”. Estarão presentes Ir. Edgar Nicodem, Ir. Joilson de Souza Toledo e Pe. Aloísio Pacini. O livro é parte do esforço da Equipe Interdisciplinar para concretizar o solicitado na Assembleia Geral Eletiva de 2022.
A ressignificação da Vida Religiosa Consagrada no discipulado de Jesus Cristo, em sinodalidade, missionariedade e contínua conversão à luz da Palavra, constitui a perspectiva que orienta o atual triênio (2022 – 2025) da CRB. Trata-se de um processo que requer a escuta dos gritos e clamores do nosso tempo para responder, com esperança, e contribuir para tornar visível o Reino de Deus.
Ressignificar é atribuir um novo significado. É uma prática comum em diversas áreas do conhecimento, como na educação, psicologia, neurolinguística e nas relações humanas. A reinterpretação de experiências pode levar a um entendimento novo, diferente, mais profundo e transformador. Habitualmente requer desinstalar-se, sair de zonas de conforto e perceber novos significados ou sentidos.
Na Vida Religiosa Consagrada, a ressignificação implica um processo em duas direções. Por um lado, como destaca o horizonte do Triênio, escutar os gritos e clamores do nosso tempo. Por outro lado, revisitar as nossas origens proféticas e evangélicas1. Esse duplo movimento toca em cheio a nossa missão e o carisma. Que novos horizontes e sentidos podemos descobrir e desenvolver em nossa missão e carisma? Uma Igreja sinodal em saída missionária, em sintonia com o Papa Francisco, pode iluminar-nos para primeirear, envolver-nos, acompanhar, frutificar e festejar (Evangelii Gaudium, 24).
Além do horizonte, as prioridades do Triênio estão articuladas em três eixos: discipulado, sinodalidade e missionariedade. Durante os últimos dois anos esses eixos foram aprofundados pela Vida Religiosa Consagrada, particularmente o eixo do discipulado e da sinodalidade.
Nas reflexões que seguem vamos refletir sobre o eixo da missionariedade. As prioridades do eixo da missionariedade tocam duas áreas. A primeira relacionada a nossa presença profética junto às infâncias e juventudes, e a segunda à ecologia integral. As nossas reflexões sobre essas duas prioridades serão desenvolvidas em quatro artigos.
Pensar a ressignificação da Vida Religiosa Consagrada a partir da itinerância missionaria é a contribuição do Pe. Daniel Rocchetti. Aproveitando a oportuna intervenção da Irmã Gloria Liliana Franco Echeverri, Presidente da CLAR, na última Assembleia Geral Eletiva da CRB, o Pe. Daniel pergunta: o que está acontecendo com a VRC que, pouco a pouco, vai abandonando as longínquas e escondidas comunidades rurais, pequenas, pobres, menos estruturadas? Diante dessa situação, o artigo nos convida a olhar para Jesus, particularmente para a dimensão orante e itinerante.
Jesus passa longas horas em silêncio e diálogo com o Pai. O seu silêncio não é um exercício de solidão, mas de profunda comunhão com o Pai e os seus prediletos. Através de sua oração Jesus se aproxima das necessidades do mais pobres para amá-los, criando sintonia, comunhão e solidariedade. Jesus viveu sua missão como itinerante. Ele sempre procurava estar no meio das pessoas, por isso andava pelos campos, cidades, sinagogas, templo… Marcava presença nos lugares mais complexos e desafiadores. Seguir Jesus não seria, também, assumir esse itinerário, marcando presença onde a vida mais clama?
A situação das crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade continua sendo uma questão preocupante na vida da sociedade e da Igreja. O texto do Irmão Edgar Nicodem procura delinear como a Vida Religiosa Consagrada pode ser uma presença profética, nestas situações de abusos. Infelizmente constatamos os mais diversos tipos de situações a que os mesmos são expostos. O artigo não somente analisa o tema, mas também oferece uma série de indicações de como apresentar denúncias. Olhando a médio e longo prazo, uma educação de qualidade, acessível a todos, assume um papel fundamental. Segundo o Papa Francisco, a dor das vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo foi ignorado, emudecido ou silenciado. E prossegue o Pontífice: para que tais fenômenos, em todas as suas formas, não aconteçam mais, é necessária uma conversão contínua e profunda dos corações, atestada por ações concretas e eficazes que envolvam todos os membros da Igreja.
Historicamente a Vida Religiosa Consagrada tem marcado uma presença significativa com os jovens. Vidas jovens importam é a contribuição do Irmão Joílson de Souza Toledo. A proposta do artigo é reconhecer e identificar as contribuições das juventudes das fronteiras na ressignificação da VRC. Nessa perspectiva é importante perguntar como as juventudes estão no coração de nossos carismas e missão. Uma realidade destacada pelo artigo das juventudes das periferias são as vidas precarizadas, onde emerge o tema da juvenecídio. Falar de juventudes é também considerar a cultura digital que tem modificado o jeito de ser, crer e viver das pessoas. O mundo digital apresenta novas oportunidades, ameaças e formas de tocar e ser tocado, configurando um desafio especial para a VRC.
A segunda temática do eixo da missionariedade é a ecologia integral que contempla o bem-viver como estilo de vida, a defesa da Casa Comum e dos povos originários. Quem nos ajuda a aprofundar essa temática é o antropólogo, Padre Aloir Pacini, SJ. Ele propõe que a Vida Religiosa Consagrada assuma a ecologia integral e o bem-viver como estilo de vida, na defesa da Casa Comum ao modo ou em comunhão com os povos originários. Como poderão ver artigo, em grande parte o Pe. Aloir partilha a sua rica experiência com os Warau e outros povos originários. O seu grande desejo é que cada religioso e religiosa encontre em cada pessoa dos povos originários um irmão ou irmã. Hoje, como Vida Religiosa Consagrada, somos convidados a renovar continuamente a nossa presença junto aos povos originários, semelhante ao que já fizeram tantos e tantas religiosas e religiosos, como um inequívoco sinal do Reino de Deus.
Segue sendo a hora, e quem sabe mais do que nunca, afirma Dom Pedro Casaldáliga, de comprometer-se profeticamente. Os quatro artigos partilhados revelam claramente que o profetismo assumido pela VRC passa pelos pobres, crianças, jovens e povos originários em situação de vulnerabilidade. São, na realidade, um importante desafio e uma excelente oportunidade para ressignificar a Vida Religiosa Consagrada.





